Esportes

Um sonho de 14 segundos

novembro 18, 2014
Atletismo - Invertisa

Se você já leu meu último post sobre corrida (leia aqui depois), sabe que eu treino e participo de competições de atletismo pela faculdade já há 2 anos, quando descobri meu amor pela corrida. Por isso, sinto que preciso compartilhar com vocês um pouco sobre as duas competições de que participei esse mês.

No sábado, dia 1º de novembro, aconteceriam os Jogos da Liga de atletismo, competição entre algumas das melhores faculdades da USP. Só que eu tinha curso de Yoga o dia inteiro, ou seja, nem estava nos meus planos competir. Acontece que, assim que as meninas da equipe me falaram que faltava uma pra fechar o revezamento de 4x100m, não pude evitar: já que, por sorte, o curso de Yoga é na USP também, aproveitei pra ir correr nos intervalos das aulas.

E, para a nossa surpresa e alegria, isso nos rendeu a primeira colocação no revezamento, ganhando de três equipes fortes: uma da Poli e duas da FEA.

Fora que, depois do curso, às 16h, ainda corremos o revezamento 4x400m e ganhamos bronze, outro momento incrível que não estava nos planos (se bem que quem mais ficou surpresa foi minha mãe, ao ver sua filha chegando em casa com duas medalhas depois do curso de Yoga).

No dia seguinte, apesar das mil compressas de gelo que fiz para preveni-las, obviamente que as dores surgiram. Mas uma delas se destacou: atrás do joelho esquerdo, um inchaço e uma dor que puxava para a panturrilha quando eu andava. E o grande problema? No domingo seguinte, dia 9, aconteceria a competição mais esperada do ano, tanto para o atletismo como para diversas outras modalidades: o BIFE, uma grande competição entre faculdades da USP que acontece todo ano.

E, de acordo com meu namorado e meu técnico, a dor que eu estava sentindo era de uma provável inflamação no tendão, então eu teria que fazer gelo todos os dias e não forçar a região até o dia da prova para ver se melhoraria e eu conseguiria competir.

Depois de muita ansiedade, compressas de gelo e pernas pro alto, o dia da competição chegou.

E, apesar das ameaças e pragas sofridas por parte de minha amada mãe caso eu competisse, lá fui eu.

E não existem nem palavras para descrever o quanto valeu a pena ter arriscado. Na hora da semifinal dos 100m rasos, depois de alongar, aquecer e ter quase certeza de que eu não estava prestes a estourar minha perna, decidi correr. Junto com a Verônica e Júlia, parceiras do revezamento que faríamos em algumas horas, classifiquei para a final. Eram 3 atletas da ECA em uma final com 6 meninas (que tiveram os melhores tempos dentre as quase 30 que correram na semi), e todas já pontuariam só por estarem lá.

Até chegar a hora da final, mais uma vez fiquei ultra ansiosa. Juro que não tem Yoga que salve esse nervosismo (mentira, ajuda sim, mas ainda tenho muito que praticar pra conseguir controlá-lo). Só sei que meditei, inverti e fiz muitas respirações pra me acalmar junto com as meninas, até que a hora da final dos 100m chegasse.

Aletismo_Meditando

No momento da prova, foi aquela emoção difícil de explicar.

Esperamos atrás dos blocos.

“Em suas marcas…”

Nos posicionamos nos blocos. As mãos firmes no chão atrás da linha.

“Prepara…”

O quadril sobe. O joelho esquerdo também. O olhar permanece no chão.

E o coração para por um segundo, junto com a respiração.

“VAI!”

E nesse instante você vai, imediatamente, sem pensar. Empurra os blocos com os pés e corre com toda a sua força. Você tem aqueles segundos para dar o seu melhor. Você praticamente voa, como se estivesse fugindo do seu próprio corpo, dos seus medos, das suas limitações. Porque não existem mais limitações.

São 14 segundos.

14 segundos é o que se leva para conquistar um sonho.

Porque era esse meu sonho desde novembro de 2012: ir ao pódio nos 100m rasos. E ver minha faculdade entre os prmeiros lugares também. E foi o que aconteceu, já que eu fiquei em 3º, a Verônica em 1º e a Júlia, em 4º lugar. Foi uma alegria e orgulho sem tamanho.

Mas o melhor ainda estava por vir.

Estávamos confiantes no revezamento por causa do ouro no final de semana anterior, mas íamos correr contra 5 equipes boas, então o nervosismo já começava a tomar conta. A ordem seria a mesma da semana passada: eu abriria saindo do bloco, então passaria o bastão para a Jú, que passaria para a Fran e a Vê correria os 100m finais.

Só que, dessa vez, era o BIFE, a competição pela qual esperamos o ano inteiro. E nós ainda tínhamos a chance de quebrar o recorde de tempo do revezamento da história do BIFE, o que nos daria a pontuação do primeiro lugar somada a mais 13 pontos.

Será que a pressão era grande? Nada, imagina.

Mas o resultado foi melhor ainda.

Atletismo - Invertisa

Não só ganhamos ouro como também quebramos o recorde, e eu obviamente comecei a chorar de emoção antes mesmo que a Vê alcançasse a linha de chegada – e corremos pra dar um abraço nela assim que ela chegou. Foi MUITO emocionante!

Atletismo Invertisa

E por que eu quis compartilhar isso com vocês?

Bem, porque essa sensação é das melhores que existem. Você fazer um esporte, treinar, ter uma equipe pra te apoiar e para se orgulhar. E não precisa nem ser um time na faculdade: existem diversos grupos, acessorias e possibilidades por aí. É só querer.

Fora que eu contei só a parte dos 100m, mas diversos outros atletas da nossa faculdade correram, arremessaram, saltaram, pontuaram e brilharam muito no dia. É tanto orgulho por ter visto essa equipe evoluindo, que nem cabe em mim. São dias como esse que nos fazem ter a certeza absoluta: a vida é incrível. A vida pode ser espetacular. E isso só depende do nosso esforço e amor pelo que fazemos.

E sabe aqueles momentos em que você pensa: “Um dia vou lembrar disso e ter muita saudade?”

Pois é. Só que eu vou pensar: Eu era muito feliz. E eu sabia.

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