Esportes

A corrida que inverteu minha perspectiva

outubro 21, 2014

Esse é um post sobre como começar a correr mudou minha perspectiva – e me levou até a linha de chegada da minha primeira prova, esse domingo, na Maratona Internacional de SP. E, claro, sobre como você também consegue superar seus limites: só precisa se dar conta de que quem cria sua motivação e quem determina o quão longe você vai não é seu corpo – é você.

O ESTOPIM

Apesar de fazer Yoga constantemente e a prática ser muito bacana pra manter o equilíbrio físico e mental, nos últimos tempos eu estava sentindo muita falta de fazer exercícios aeróbios. Isso porque, desde pequena, sempre havia um esporte que me acompanhasse: quando mais nova a natação, no colégio era o futebol, nos primeiros 2 anos de faculdade treinei basquete e depois fui encantada pelo atletismo. Só que, apesar de amar correr, minhas provas no esporte em questão sempre foram os 100m rasos e suas derivações – o salto em distância e o revezamento de 100m –  porque afinal, nunca tive resistência pra aguentar mais que essa distância, e meu forte sempre foram os tiros curtos.

Acontece que, em um belo dia, meu namorado Lucas (conhecido como Invertiso no instagram) disse que ia se inscrever em uma prova de 10k, e perguntou se eu queria que ele me inscrevesse na de 3k que aconteceria no mesmo dia. Coincidência ou não, na mesma semana, meu pai propôs que eu o acompanhasse em caminhadas/corridas todos os dias de manhã. Somando isso ao cansaço e falta de disposição que eu estava sentindo na época, logo interpretei tudo como um evidente sinal do universo e topei ambos sem nem hesitar. Mal sabia o que me esperava.

O PROCESSO

Foi o que me transformou. Foi o mais incrível, justamente porque é mágico quando paro pra pensar na evolução que ocorreu em apenas um mês.

Isso porque, no primeiro dia, andei 45 minutos com meu pai e, no final, consegui correr apenas 300m. No segundo dia, foram 600m. Na segunda semana, 1km. Na terceira, 2km. E assim foi.

As pessoas me julgavam quando eu dizia que ainda não aguentava correr 3km seguidos, já que sou tão esportista e aquela era uma distância tão curta. Mas a verdade é que não, não é curta pra quem não está acostumado. Sim, eu treinei atletismo pela faculdade nos dois últimos anos e, ainda que tenha parado há alguns meses por causa dos horários, ainda participo de competições universitárias. Mas uma coisa é quando você faz treinos com tiros de 40, 60 e 80m, e outra coisa completamente diferente é  conseguir correr “longas” distâncias.

Isso porque sempre existem fatores que te desafiam a continuar correndo. No meu caso, no começo era uma coceira muito forte que surgia nas pernas depois de pouco tempo correndo (acho que muita gente deve saber como é, pelo que percebi acontece quando você fica muito tempo sem fazer aeróbios), e como era uma sensação muito ruim, cometi aquele velho erro de pesquisar o que poderia ser na internet. Pronto, já achava que tinha alergia a exercícios físicos e que não conseguiria terminar a prova por coceira, imaginem a vergonha. Depois de alguns dias, graças a Deus passou, e o problema agora eram as pontadas na região abdominal. Aquela dor que vai aumentando gradativamente enquanto você corre e, de repente, fica tão insuportável que você não consegue continuar nem andando. É obrigado a parar até que a dor passe. Aos poucos, ela foi demorando mais tempo pra ficar insuportável, mas depois dos 2k ela sempre surgia. Mesmo coordenando a respiração, correndo com a postura certa, fazendo tudo certo.

No último treino, o Lucas foi correr comigo e me passou várias técnicas boas pra conseguir correr melhor e pra lidar com essa pontada, e corri 2,7km com o incentivo dele. Mas ainda me restava aquele medo: e se no dia da prova eu não conseguir chegar nos 3k? E se surgir a maldita dor e ela ficar insuportável, não me deixando terminar?

O DIA DA PROVA

Foi diferente de tudo que eu imaginava. Eram 20 mil pessoas, distribuídas entre 4 provas diferentes (3k, 10k, 25k e 42k), uma energia incrível, um clima de incentivo vindo de todos os lados. Correr em meio a tantas pessoas tão determinadas foi muito emocionante – e a emoção foi tão grande que perdi a saída de quem ia fazer só 3k. Quando percebi que havia continuado no trajeto das corridas mais longas, foi porque cheguei na placa indicando que haviam se passado 3k, mas não estávamos no Ibirapuera (estava mesmo estranho que a gente estivesse se afastando cada vez mais ao invés de voltar rs). Por sorte, encontrei algumas pessoas que também haviam passado reto pela saída, e nos perguntamos: e agora?

E o que poderia ter sido motivo pra tristeza virou uma superação ainda maior: voltamos os 3k, percorrendo mesmo trajeto pelo qual o pessoal dos 10k passaria logo menos (a partir do km 7). Fizemos os 2 primeiros km andando e, adivinha? Corremos o último! Sentindo mais uma vez a emoção de estar cumprindo uma nova meta e superando limitações que havíamos imposto a nós mesmos sem saber que, com determinação e incentivo, poderíamos ir além. Foi simplesmente incrível.

Percebam a concentração total no último km!

Percebam a concentração total no último km! Os shorts e tênis lindos são da Puma 😉

O QUE ESTÁ TE IMPEDINDO?

Nunca achei que fosse conseguir correr mais que meus 100m. Eu me limitava com o pensamento de que se “tenho facilidade” para uma coisa, por que forçar pra conseguir fazer outras? Por que perder tempo tentando correr “longas” distâncias se eu já sou boa nos 100m? Ora, eu considerava um pensamento bastante razoável.

Acontece que a corrida prova o contrário. Mostra que a gente consegue fazer o que quiser, desde que queira de verdade. E desde que treine, porque treinando você consegue realizar qualquer coisa.

Felizes e mortos pós-corrida

E eu te pergunto: o que está te impedindo de ir atrás das suas conquistas? Se você também quer correr ou praticar qualquer outro exercício ou atividade com que sonha, por que não está fazendo ainda? O que te limita?

Acordar cedo? Ir dormir cedo? Você acorda desanimado? Ou acha que não tem tempo?

Nada disso existe. É tudo criado pela sua cabeça para seguir o caminho mais fácil – que nem sempre é o melhor pra você. Mas no fundo você sabe quando precisa tomar uma atitude pra mudar isso. E sua intuição diz que você precisa fazer algo que mude sua vida – você só precisa dar ouvidos a ela.

Por isso, crie um objetivo. Determine prazos. E, seja qual for sua meta, dedique-se a ela. Não deixe de acordar por preguiça. Vá dormir determinado e acorde com toda a sua força de vontade. Se achar que a sua não é suficiente, encontre uma dupla que te ajude a se superar.

E desafie-se a superar seus limites todos os dias. Não forçar além do que seu corpo permite até se machucar (até porque recomendo que de preferência tenha o acompanhamento de um educador físico nesse processo) mas saber reconhecer quando você consegue ir mais um pouco. Nem que seja 1km, 500m, 20 metros a mais. Só pra que, no dia seguinte, fazer aquela distância já não seja mais um desafio. Seu desafio já será maior.

Crie seus desafios. Estabeleça suas metas. Descubra seus limites.

E escolha superá-los.

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3 Comentários

  • Reply Patricia outubro 24, 2014 at 6:49 am

    Isoka linda, voltei a correr graças à seu incentivo e ao do Fe e, digo, não acreditava que eu podia amar tanto uma coisa que já amei antes e, não só deixei de amar como passei a evitar.
    Isso de ser boa em algo e não tentar outras coisas é a maior verdade – e uma grande desculpa.
    Desde que voltei a correr, minha disposição melhorou para tudo, meu condicionamento e mesmo meus humildes músculos conquistados com muito treino de musculação estão apenas melhorando e mostrando para o que servem.
    Quando tenho aula fica praticamente impossível – a não ser que eu acorde antes das 5am – mas hoje, sem aula, acordei as 6am (ao invés das 8h30) para ir correr e treinar. Já sei que vou sair a noite e estava sofrendo com o pensamento de pular o treino, ao mesmo tempo que estava achando várias desculpas para dormir mais. E no fim, quando o despertador tocou as 6am: acordei. Disposta, com sono, lutando sobre o que fazer e foi aí que meu subconsciente falou para mim mesma “you never regret a workout”.
    Logo vieram imagens e sensações de realização depois de todos os meus treinos e não tive nem o que considerar, eu já tinha levantado do cama.
    Adorei o post! Sempre um incentivo saber que minha amiga está fazendo o mesmo 🙂

    Beijocas!

  • Reply Jessica outubro 30, 2014 at 1:49 pm

    Isa linda, amei o post!
    Sempre fiz academia e tem uns meses que eu comecei a tentar correr por vontade própria, meus grandes problemas são: já tive labirintite e fico muito insegura em cima da esteira e, principalmente, não saber a postura adequada, a respiração correta… Isso tudo dificulta, mas tenho persistido e percebo que tô melhorando aos pouquinhos, o que já é uma vitória =)
    Adoro seu blog, adoro seu instagram e adoro você!
    Beijão e muito sucesso!!

    • Reply Isabella Mezzadri outubro 31, 2014 at 8:10 pm

      Jessica, que lindaaa, muito obrigada pelo comentário e pelo carinho! Que bacana que você está correndo e percebendo sua evolução, é uma sensação muito legal, né? Mas toma cuidado com isso da labirintite, é bom ter um profissional acompanhando!
      Mas coincidentemente, em breve vai ter um post aqui com dicas pra quem está começando a correr.. Acho que vc vai gostar bastante! 🙂
      Muito obrigada de novo pelas palavras.. fico super feliz em saber que está gostando!
      Beijos! <3

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